
O mel de Picos no balcão
Seu Benício encostou no mercado trazendo garrafas do mel novo trazido do rumo de Picos, mostrando como a florada do marmeleiro adoça a rotina do sertão.
Ler prosaAcervo do Mercado
As histórias não somem quando termina o dia. Ficam nas prateleiras — junto com as edições da Revista Literária — esperando quem quiser passar pra ler.
Uma história por dia, do balcão pra você.

Seu Benício encostou no mercado trazendo garrafas do mel novo trazido do rumo de Picos, mostrando como a florada do marmeleiro adoça a rotina do sertão.
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Compadre Zequinha encostou no balcão trazendo uma pedrinha polida do rio Canindé e lembrou que o sertão guarda na rocha e na madeira o rastro da vida da gente.
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Compadre Damião encostou no balcão pedindo o pedaço certo de carne de sol pro almoço do mutirão, mostrando como a Maria Isabel sustenta o corpo e ajunta o povo na mesma mesa.
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Dona Zefinha encostou no balcão com um saco de goma de mandioca recém-lavada, lembrando que certas coisas na vida precisam de tempo pra assentar e ficar brancas de doer o olho.
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Dona Lindalva chegou cedo ao mercado com seu cesto arrumado na palha de milho, mostrando que as coisas mais delicadas da vida exigem mais paciência do que pressa.
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Seu Antenor encostou no balcão procurando linha grossa pra consertar o gibão de couro e lembrou que a vida na caatinga exige casca dura e ponto bem dado.
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Quando a primeira chuva de trovoada estala na telha de barro, o balcão do mercado vira abrigo de quem sabe o valor de ver a poeira da piçarra baixar.
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Compadre Severino encostou no balcão com um saco de feijão-de-corda novo, e o estalo das sementes caindo no prato de latão lembrou todo mundo do valor da confiança no sertão.
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Dona Raimunda trouxe pro mercado um pote da paçoca de carne de sol socada no pilão de maçaranduba, lembrando a todos que o segredo do sertão é a paciência.
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Seu Carlinhos chega ao mercado com castanhas de caju recém-assadas no fogo, perfumando o balcão e reunindo os fregueses em torno do morno da conversa.
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Seu Totonho tirou do bolso um pedaço de opala bruta trazida de Pedro II e mostrou como até a terra mais seca guarda cor escondida no fundo.
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Seu Cosme encosta a bicicleta todo fim de tarde no mercado só pra ouvir a hora dos avisos no rádio a pilha e saber das novidades da região.
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Dona Carmelita trouxe um feixe de abanos de carnaúba recém-trançados e lembrou que no sertão a gente ajeita até o ar na força do braço.
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Seu Valdemar chegou da estrada de piçarra queimado de sol e encontrou na caneca de alumínio e no filtro do balcão o alívio que só o barro suado do sertão sabe dar.
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Seu Raimundo encostou no mercado com as primeiras garrafas da cajuína nova e lembrou que as coisas mais valiosas do sertão a gente reconhece é pela luz que elas espalham.
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Seu Raimundo encostou no balcão pra amolar o canivete na pedra molhada e lembrou que a vida no sertão exige ferramenta pronta e paciência.
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Seu Vítor encosta no balcão pra eu cortar seu pedaço de fumo de rolo e mostrar como o tempo no sertão tem seu próprio ritmo.
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Seu Zezinho encostou no balcão uma careta de madeira recém-pintada pra o Reisado e lembrou a todos no mercado que a festa começa muito antes da dança.
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Um sopro de vento mais fresco descido das serras fez o povo puxar conversa comprida perto das prateleiras e lembrar que o sertão guarda surpresas no clima.
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Mestre Benedito usou o espaço em frente ao mercado pra mostrar como a dança do Cavalo Piancó espanta o cansaço e coloca todo mundo no mesmo ritmo.
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Antes de o sol despontar direito, o cheiro do tempero da panelada bem cozida cruza a rua e junta os trabalhadores na porta do mercado pra começar o dia com sustança.
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Compadre Tonho trouxe uma garrafa de mel puro do sertão de Picos e ensinou a simpatia antiga de testar a gota na unha pra saber se o trabalho era caprichado.
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Um rapaz que vinha de viagem das bandas de Oeiras parou aqui pra descansar e abriu uma marmita na folha de bananeira que fez o mercado todo suspirar.
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Um freguês novo pergunta sobre a placa "Aqui tem CoBan" — e o Seu Chico conta como um comércio pequeno também pode virar ponto de atendimento bancário.
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Noitinha de calor, um rapaz novo veio do Parnaíba cismado com as conversas do Cabeça de Cuia e achou sossego numa xícara de café quente.
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Compadre Damião encostou o saco de goma fresca no balcão e o mercado todo parou pra sentir o cheiro da casa de farinha.
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Tinha um senhor que vinha aqui todo dia buscar pão. Anotava na caderneta. Nunca pagou uma conta. E mesmo assim, foi o freguês mais lucrativo que eu já tive.
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Choveu tanto num sábado que ninguém saiu de casa. Fechei a porta, mas três fregueses ficaram presos aqui dentro. Foi a melhor tarde do ano.
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Toda terça-feira a dona Rita traz um pote de paçoca socada no pilão. Não é pra vender, é pra trocar por fiado de prosa e um bocado de sabão.
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Mormaço do meio do dia no Piauí faz o tempo parar. Um caminhoneiro encostou aqui só pra descansar o juízo perto da garrafa de aluá.
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Faltou energia bem na hora do movimento da noite. Ninguém foi embora; acendemos a lamparina e o mercado virou sala de visita.
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Um menino veio comprar um pedaço de doce com as moedas contadas na mão. Faltava pouco, mas a vida no sertão se ajeita é no companheirismo.
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Rapaz, esses dias entrou uma moça aqui no mercado só pra pedir um cafezinho. Não comprou nada. Sentou no banquinho, tomou devagar, agradeceu e saiu.
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Treze capítulos de prosa mansa: o Mercado, o Seu Chico, a caderneta da confiança, o café que junta gente. A primeira edição da Revista, cortesia do balcão.
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