Café passado na hora tem gosto de gente

Rapaz, esses dias entrou uma moça aqui no mercado só pra pedir um cafezinho. Não comprou nada. Sentou no banquinho de madeira que fica ao lado do balcão, tomou o café bem devagar, agradeceu e saiu. Não perguntei nada. Ela também não disse nada. Mas quando saiu, tava com outra cara.
Vou te dizer uma coisa: tem hora que a gente não precisa de conselho, de solução, de conversa comprida. Só precisa de um lugar quieto pra respirar. Um café passado na hora. Uma pessoa que não faz pergunta.
Aqui no Mercado do Chico eu aprendi isso. Não é o que a gente vende que segura o freguês. É o que a gente oferece de graça. Um bom-dia sincero, uma cadeira, um ouvido paciente.
Se um dia você passar por aqui e quiser só um cafezinho, pode entrar. Não precisa comprar nada. A cadeira tá te esperando.

Revista Literária · Edição nº 01
Memórias de Balcão
Do Mercado do Seu Chico · Edição nº 01
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